
A tanoaria é o espaço onde se trabalha a madeira e se conserva a arte tradicional de a vergar, transformando-a em vasilhame resistente, sobretudo pipos para guardar vinho. Antigamente, em Ovar, estas pequenas oficinas caseiras tinham por vezes o nome de «fusecas».
No nosso concelho havia tanoeiros em quase todas as aldeias. A arte era mais reconhecida no norte, nomeadamente em Maceda e Esmoriz, onde ainda hoje trabalham tanoarias.
Válega também teve os seus tanoeiros. O último tinha a oficina junto à N109.
Trabalhou nesta arte toda a vida, que foi o seu sustento, e era reconhecido em toda a vila pelo bom trabalho que fazia.
A aprendizagem
Para se chegar a tanoeiro eram precisos muitos anos de aprendizagem. Desde crianças, os rapazes eram entregues como moços de servir a um tanoeiro reconhecido.
Nada recebiam. Trabalhavam de sol a sol, a obedecer a ordens, num trabalho violento e muito desgastante, e por vezes os pais ainda pagavam com oferendas.
Quando se sentiam preparados, faziam exame na presença de um tanoeiro reconhecido. Só então podiam abrir a sua própria tanoaria.