A madeira
Começa-se pela escolha da madeira. Deve ser fácil de trabalhar e ao mesmo tempo resistente, com boa elasticidade, pouca porosidade e substâncias adstringentes, os taninos.
As madeiras mais usadas são o carvalho, o castanho, a acácia-da-austrália, o pinho e o eucalipto, este um dos mais usados no nosso concelho, segundo José Silvano na obra «A Tanoaria de Esmoriz», de 1977.
Depois de comprada, a madeira era cortada em ripas ou réguas, que secavam ao ar livre em grades, com boa ventilação. Ao fim de 6 meses, as ripas eram arrumadas muito mais juntas e ao abrigo, até serem usadas.
As operações do tanoeiro
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01
Traçar
Cortar as ripas para ficarem todas com a mesma medida. Aqui faz-se a primeira selecção.
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02
Lavrar
Transformar a ripa em aduela. Exige muito conhecimento para tornear o lado exterior, dando-lhe a forma arredondada do centro para as laterais.
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03
Vasar
Adelgaçar o lado interno da aduela, do centro para as extremidades, para facilitar depois o vergamento.
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04
Esquivir
Adelgaçar a aduela do centro para as laterais, de forma simétrica.
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05
Juntar
Polir e desempenar as laterais, para que as aduelas se juntem bem e vedem.
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06
Parear
Definir o tamanho do pipo e escolher as aduelas pela talha (comprimento), pelo padrão (diâmetro dos fundos) e pela aba.
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07
Levantar
Pôr as aduelas de pé dentro do primeiro arco de bastição, unidas em cima e afastadas em baixo, sempre com uma aduela mais grossa ao lado de uma mais fina.
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08
Agalhar
Acertar os topos das aduelas com o maço ou a marreta de bastir.
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09
Bastir
Colocar e bater os arcos de ferro necessários, conforme o tamanho do pipo, até as aduelas ficarem bem unidas.
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10
Afogachar
Aquecer a madeira, molhando o exterior com um farrapo, para a vergar com a ajuda do macaco. Colocam-se os restantes arcos e o pipo volta ao fogacho mais 15 minutos para fixar a curvatura.
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11
Arrunhar
Colocar os fundos. Requer cuidado, perfeição e bastante força, e garante a fixação, o não empenamento e a vedação dos fundos.
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12
Empalhar
Tapar com tabúa todos os pequenos buracos, para uma vedação completa.
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13
Acabar
Limpar o pipo de restos de tabúa e de qualquer outro material.
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14
Escaldar
Deitar água a ferver dentro do pipo para detectar possíveis fugas.
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15
Parafinar
Fase final, apenas nos pipos pequenos destinados a vinho comum.